domingo, 27 de novembro de 2011
Over and over night: confissões
Se eu soubesse que era meu último... Poderia ter me preparado psicologicamente. Bastava um pouco de antecedência. Se eu soubesse que nunca mais iria sentir o prazer de me apresentar para uma platéia, a satisfação de sentir que dei tudo de mim, o orgulho de colocar toda a força nos movimentos, a sensação de simplesmente estar no palco fazendo o que gosto. O cansaço após uma aula muito bem aproveitada, a alegria após conseguir fazer um movimento desafiador, as ideias dos dias de pauta, as marcações de palco. A comemoração após cada dança final, ouvir o nome do grupo ser anunciado, o inevitável e conhecido friozinho na barriga, a ânsia de querer mostrar do que sou capaz. Treinar duro e sem descanso, trabalhar técnicas, treinar mais um pouco. Ver todo o esforço durante o ano refletir no sucesso de uma apresentação. Isso tudo não tem preço. Ah, se eu soubesse... Se eu soubesse que tudo isso iria acabar... Acabar mais cedo do que era previsto...
Mas, será que algo seria diferente, se eu soubesse? Será que eu não faria tudo igual novamente? Não há como saber, há?
A resposta para todas essas perguntas é não. Porque fazer dança de rua, ou qualquer tipo de dança, tem um único objetivo: crescer. Se eu cresci? Sim. Cresci em vários aspectos. Cresci como bailarina, mas como pessoa. Adquiri um pouco mais de auto-confiança, algo que me era inexistente. Diminuiu, nem que apenas um pouco, minha timidez, com a qual eu lutava, e ainda luto, só que agora com um pouco menos de intensidade. Melhorei um pouco minha coordenação motora. E, é claro, me tornei uma pessoa muito mais feliz com a vida e comigo mesma. Minha missão está completa.
Às vezes, penso em voltar atrás. Não vou mentir. Às vezes, penso em jogar tudo para os ares e dizer que não vou mais sair, que vou continuar. Mas, e se eu continuasse? Ficaria mais um ano e aí também sairia. Eu apenas adiaria a dor, e isso só torna a dor pior quando você realmente a sente. Minha decisão, apesar de muito dolorosa e triste, também é definitiva. Tenho que pensar em mim, em meu futuro. Foco.
Sinto que não vou simplesmente dar as costas a tudo o que já fiz na dança de rua. Tudo o que aprendi com esse estilo de dança, as amizades que fiz, vou levar comigo pela minha jornada. E sei que não vou abandonar o grupo: tenho gente de confiança para cuidar dele por mim.
É, acho que vou ficar bem. Não agora. Após um tempo. Mas sei que vou ficar bem.
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